TRANSLIQUIDIFICAÇÃO POÉTICA de Paulo Bruscky
Paulo Bruscky, 77 anos, nordestino de Recife, é um dos expoentes da arte conceitual no Brasil e um dos principais precursores de diversas manifestações que envolvem arte, tecnologia e comunicação. Sua prática artística, baseada na ideia de arte como informação, é marcada pelo experimentalismo constante, resultando em um corpo de obras plural, composto por poesias visuais, livros de artista, performances, intervenções urbanas, filmes em Super-8 e trabalhos em novas mídias. A produção de Bruscky é também caracterizada pelo conteúdo de contestação social e política, resultado da sua postura crítica e militante, em parte concebida em contestação à ascensão de governos militares e o consequente estabelecimento de severos regimes ditatoriais em diversos países latino-americanos, incluindo o Brasil, durante um período que coincidiu com o início de sua trajetória.
Para esta mostra, sob a curadoria de Daniel Rangel, está prevista a apresentação de mais de 100 obras oriundas da coleção particular do artista e da galeria Nara Roesler contemplando diversos períodos e linguagens. São peças que, certamente irão despertar a atenção e o interesse do público pela criatividade e conexão com a realidade contemporânea. E, complementarmente, haverá instalações interativas possibilitando uma melhor fruição e diálogo entre obra, artista e espectador.
“Não se trata de uma retrospectiva linear, mas de uma experiência construída por aproximações, afetividades, contaminações e atravessamentos. Tudo junto e misturado, em consonância com o caminho trilhado por Bruscky: sinuosos rompantes criativos que transformam o cotidiano em poesia, por meio de um prática de invenção que dissolve as fronteiras entre arte e vida.”, diz Rangel. Bruscky iniciou sua pesquisa no campo da arte conceitual nos anos 1960, participando, no final da década, do movimento poema/processo, por meio do qual estabeleceu contato com Robert Rehfeldt, membro do grupo Fluxus. Introduzido por Rehfeldt ao circuito internacional da Arte Postal,
Bruscky ingressou no movimento em 1973, tornando-se um dos principais pioneiros dessa manifestação artística no Brasil. A partir de então, desenvolveu intenso diálogo com diversos artistas, principalmente os membros dos grupos Fluxus e Gutai, além de vários nomes da América Latina e do Leste Europeu – regiões com as quais o artista procurou privilegiar o contato, devido ao intenso processo de repressão política que os caracterizava na época. Grande parte de sua produção questiona as próprias funções da arte e as operações de seu sistema.
Bruscky tem participado de diversas exposições no Brasil e no exterior, incluindo inúmeras bienais, como as 16ª, 20ª, 26ª e 29ª edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1981, 1989, 2004 e 2010), 57ª Bienal de Veneza, Itália (2017); e a 10ª Bienal de La Habana, Cuba (2009), entre outras. Exposições individuais recentes incluem: Banco de Ideias, na Nara Roesler, em São Paulo, Brasil (2023), Paulo Bruscky. Eteceterate, na Fundación Luis Seoane (2018), n'A Coruña, Espanha; Xeroperformance, no Americas Society / Council of the Americas (AS/COA) (2017), em Nova York, Estados Unidos; dentre outras.
A realização desta exposição está sendo viabilizada com o apoio financeiro da galeria do artista, Nara Roesler, e conta ainda com a estrutura operacional do MAC_BAHIA/ IPAC/ SECULTBA.





