Memorial Mãe Menininha do Gantois

O “Memorial Mãe Menininha do Gantois” foi inaugurado em 10 de fevereiro de 1992, e está integrado ao espaço sagrado do terreiro. Reúne mais de 500 peças expostas referentes à história, objetos rituais, e pessoais, de uma das maiores lideranças da religiosidade de matriz africana na Bahia.

Criação

O “Memorial Mãe Menininha do Gantois” foi inaugurado em 10 de fevereiro de 1992, e está integrado ao espaço sagrado do terreiro. Reúne mais de 500 peças expostas referentes à história, objetos rituais, e pessoais, de uma das maiores lideranças da religiosidade de matriz africana na Bahia.

Considerado primeiro espaço museal dessa categoria, e de personalidade única da religiosidade, o Memorial faz jus à figura legendária e visionária de Mãe Menininha, que sempre teve uma perspectiva de preservação do patrimônio imaterial, com seus ritos e idiossincrasias, assim como do aspecto material, deixando um acervo rico em peças civis e religiosas, num estilo característico de coleção aberta, dividida em três núcleos expositivos: o espaço da mulher, Maria Escolástica; o espaço da sacerdotisa, Mãe Menininha, e a ambientação do seu aposento.

Visitar o Memorial é conhecer a própria história do candomblé na cidade de Salvador e a presença marcante dos africanos e dos seus descendentes na formação da cultura da Bahia, através do contato com os aspectos da vida e da trajetória religiosa de Mãe Menininha a partir do seu acervo.

Com obra publicada em julho de 2010, a edição traz um registro histórico do inventário do acervo, em formato de livro “Memorial Mãe Menininha do Gantois – Seleta do Acervo”, bilíngue, traduzindo aspectos da história, da cultura e dos patrimônios que dão à comunidade-terreiro a sua devida importância enquanto detentora de testemunhos memoriais.

É um marcador político configurando-se num manancial de tecnologias sociais de base comunitária, desenvolvidas a partir dos saberes, práticas e modos de organização das comunidades tradicionais de matriz africana, cuja atuação ultrapassa a dimensão museológica convencional, afirmando-se como um dispositivo político de produção de conhecimento, fortalecimento identitário e transformação social em territórios historicamente marcados pela desigualdade racial e pela exclusão institucional, com uma forte capacidade de articular gestão comunitária do patrimônio, educação patrimonial, oralidade, memória viva e formação cidadã, produzindo respostas concretas a problemas estruturais como o racismo religioso, o apagamento da história negra, a marginalização dos saberes tradicionais e a negação do direito à memória. Trata-se de uma tecnologia construída a partir do território, com participação direta de mulheres negras, lideranças religiosas, jovens, pessoas LGBTQIAPN+ e moradores do entorno, garantindo protagonismo social e transmissão intergeracional de saberes.

Possui Plano Museológico desde 2017, reconhecido como Ponto de Memória pelo IBRAM, galgou o 12º Prêmio de Educação do Ibermuseus, além de ter sua coordenação associado ao ICOM e, com isso, não apenas guarda acervos, mas produz leitura crítica da história, formando sujeitos, educadores, pesquisadores e visitantes a partir de uma perspectiva antirracista, anticolonial e comprometida com os direitos culturais, apresentando alto potencial de replicabilidade e adaptação, inspirando outros terreiros, comunidades tradicionais e iniciativas de base comunitária a estruturarem seus próprios espaços de memória, educação e salvaguarda cultural. Seu impacto se expressa tanto no fortalecimento da autoestima comunitária quanto na ampliação do acesso democrático à cultura, ao conhecimento e ao patrimônio.

Coleções

Mobiliário, imaginária, indumentária, objetos de uso pessoal, atributos, louças, documentos e fotografias integram as coleções do Memorial. Cada peça tem seu sentido específico e uma realização estética que o contextualizam tanto na esfera pessoal quanto no universo sagrado. Joias de axé, abebés, vestimentas, adjás, porcelanas, obras de arte, leques, panos da costa, jogo de búzios, e tantos outros artigos, de materiais e técnicas diversas, marcam um ideal feminino e matriarcal, um profundo olhar e sentimento de preservação dos objetos enquanto fontes de memória.

Parte das coleções da Iyalorixá Menininha do Gantois têm como referência peças do universo simbólico do orixá Oxum, a exemplo das ferramentas religiosas, joias de axé e vestuário.

Educação Patrimonial

Espaço de educação patrimonial, o Memorial é um local para ampliar conhecimentos e vivenciar essa tradicional cultural de matriz africana, integrando a política de dinamização e plano de acessibilidade ao público, aberto à visitação e a uma diversidade de programações externas e internas, tais como: realização de palestras, oficinas, participação em encontros, intercâmbios, congressos e eventos de natureza patrimonial, educativa e sócio-cultural. Mantém, ainda, convênio com universidades para programas de estágio curricular e residência para pesquisadores em todos os níveis, inclusive a nível internacional.

Visitação do museu

Terça a Sexta-feira, das 14 às 17h; e, aos sábados, das 09 às 12h. Em caso agendamento programado com bastante antecedência, eventualmente, abre para visitas específicas e pesquisas, ou atividades afins.

Entrada gratuita para instituições públicas. Mediação disponível no local.

Visitação do museu

Terça a Sexta-feira, das 14 às 17h; e, aos sábados, das 09 às 12h. Em caso agendamento programado com bastante antecedência, eventualmente, abre para visitas específicas e pesquisas, ou atividades afins. Entrada gratuita para instituições públicas. Mediação disponível no local.

Endereço

Rua Mãe Menininha do Gantois nº 23 – Federação | CEP: 40215-150 | Salvador – Bahia – Brasil

Telefone

memorialmaemenininha@gmail.com

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